Mobilização pelo desenvolvimento PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gazeta do Sul   
Sex, 27 de Novembro de 2009 00:00

Com o apoio de 21 entidades mais a Prefeitura e a Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp), Santa Cruz do Sul anunciou ontem uma reação coletiva à transferência de linhas de produção de fumageiras do Vale do Rio Pardo para Santa Catarina. Desde 2005 três empresas já confirmaram investimentos milionários no outro lado do Rio Mampituba em decorrência da retenção dos créditos de ICMS por parte do governo gaúcho. O mais recente, feito no começo do mês pela Alliance One, fechará pelo menos 600 postos de trabalho a partir de 2011, provavelmente em Santa Cruz.

Batizado de Sociedade em Busca de Sinergia, a mobilização pretende mais do que evitar a transferência de linhas de produção de outras empresas do setor. A intenção é incentivar o desenvolvimento regional e o primeiro passo será uma dura cobrança dos governos estadual e federal principalmente por mais investimentos. Uma pauta de reivindicações está sendo elaborada por líderes e será apresentada às 11h30 de segunda-feira, no Quiosque da Praça, em reunião-almoço com deputados estaduais e federais da região. Eles serão convidados a se engajarem ao movimento.

Para a empresária Áurea Binz, presidente em exercício da Associação Comercial e Industrial (ACI), trata-se do início de um período importante para o crescimento de Santa Cruz. “Estamos propondo uma agenda positiva para o município e região. É o início de uma longa caminhada”, resumiu ela ontem à tarde, na entrevista coletiva para divulgação do movimento. O presidente da Associação Santa Cruz Novos Rumos, Flávio Haas, defendeu que a mobilização não pode demorar, uma vez que “o problema está colocado”. “Queremos buscar junto aos governos ao menos parte daquilo que é nosso. Produzimos tantas riquezas, mas o retorno é menor do que deveria. Investimentos que, nesse ritmo, sairão daqui a 20 anos terão que ser antecipados”, cobrou.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Jair Jasper, que já foi presidente da ACI, explicou que o tema principal nesse momento é a questão dos créditos de ICMS. “É preciso resolver isso de uma vez por todas. Outras empresas estão fazendo seus planejamentos estratégicos e prevendo investir em Santa Catarina porque o Estado não devolve integralmente aquilo que elas têm direito. Se continuar assim o próprio governo sentirá o impacto, uma vez que o tabaco é o terceiro item na pauta de exportações gaúcha”, frisou Jasper. Ele explica que não haverá o fechamento de empresas na região, mas sim o encolhimento de linhas de produção, divididas entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Segundo os empresários, em 2008 o Estado recebeu R$ 800 milhões da União de repasses da Lei Kandir para compensação dos créditos de ICMS, “mas ninguém sabe quanto foi efetivamente repassado às empresas”, criticou Haas, que é membro da Fiergs. Somente a Alliance One estima ter R$ 170 milhões em créditos a receber do governo gaúcho. “Uma série de coisas precisa ser cobrada, questionada. Essa briga começa em Brasília, onde um projeto do senador Sérgio Zambiasi prevê o fim da geração de créditos, mas o ministro Tarso Genro, pré-candidato do PT ao Piratini, se mostra contrário à medida. Por quê?”, indaga o empresário. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Carlos Kohler, conclama a cidade a se engajar na defesa de seu desenvolvimento. “O problema é de todo mundo”, resumiu.

Investimentos

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Fumo e Alimentação (Stifa), Sérgio Pacheco, comentou na coletiva de ontem à tarde, na ACI, que até 2004 apenas a Souza Cruz tinha uma pequena linha de beneficiamento de tabaco fora do Rio Grande do Sul. “Depois que começou essa questão dos créditos de ICMS a Universal Leaf investiu em Joinville e a CTA em Araranguá. E agora a Alliance One fará o mesmo. Vão beneficiar lá o produto que até então vinha para região, gerando emprego e impostos”, informou. Como, segundo ele, a unidade da Alliance em Venâncio Aires é mais bem estruturada, Pacheco avalia que com a nova fábrica em Santa Catarina é a unidade local que processará menos fumo. “Serão 600 safreiros a menos. Cada um com salário de pelo menos R$ 550,00 por mês, serão quase R$ 2 milhões que deixarão de circular na economia de Santa Cruz por ano”, adverte.

STA. CRUZ > ENTIDADES SE UNEM EM TORNO DE AGENDA POSITIVA QUE BUSCARÁ APOIO DE DEPUTADOS

 


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